Chegou a hora de se aposentar. E agora?
O momento da aposentadoria irá chegar para todo trabalhador e enfrentar a mudança de vida gera uma série de sentimentos que precisam ser analisados. São desejos, medos, preocupações financeiras e tantos outros pensamentos que precisam ser resolvidos dentro de uma nova realidade: a aposentadoria.
Segundo a psiquiatra e psicanalista Paula Maia, o momento da transição é difícil na vida da maioria das pessoas. "São muitas expectativas e muitos medos. A possibilidade de não conseguir um rendimento que garanta uma vida confortável torna-se uma ameaça, na qual alguns profissionais procuram não pensar. Mas é uma reflexão fundamental que, no entanto, vem geralmente acompanhada de muita angústia",comenta Paula.
A representante no Brasil da International Association for Research in Economic Psychology (IAREP), Vera Rita de Mello Ferreira, afirma que são décadas de uma rotina que será alterada. "Há modificação de hábitos e de identidade. Para alguns a aposentadoria é um mito, um paraíso. Já para quem considera o trabalho razoável ou legal funciona como uma perda e ninguém gosta de perder. Os profissionais acabam associando o momento da aposentadoria a um encerramento e criam uma série de fantasmas de que serão inúteis. Ainda tem a questão de sacramentar a idade", explica Vera.
Dificuldade para a preparação
Vera Ferreira afirma que pensar em longo prazo, para o ser humano, é difícil. "Pensamos no agora. É preciso que as empresas, por exemplo, ajudem seus funcionários a tomarem decisões e agirem de maneira prática em relação ao momento da aposentadoria", garante Vera.
A especialista comenta que são atitudes simples e baratas que podem ajudar. "Se um profissional entra em uma empresa que oferece plano de previdência, essa opção de adesão deve estar destacada e colocada de maneira afirmativa dentre tantos documentos. As pessoas vão aderir mesmo que não compreendam com extrema clareza e, depois, a empresa deve desenvolver um trabalho de educação que ajudará a consolidar a escolha. É a mesma lógica que o marketing usa, porém a favor do cidadão", explica Vera.
A psiquiatra Paula Maia acredita que a dificuldade em vislumbrar uma solução pode fazer com que muitos evitem pensar sobre o assunto e, com frequência, as pessoas enfrentam grande dificuldade em lidar com a administração de suas finanças. "Esse problema em lidar com o dinheiro torna o planejamento para a aposentadoria ainda mais complicado. Muitos acompanham os problemas financeiros de seus pais durante a aposentadoria, sofrem com essa realidade e temem que isso aconteça também com eles próprios, mas não conseguem viabilizar uma alternativa", relata Paula.
Expectativa
Paula Maia afirma que nossa sociedade ainda entende o trabalho e a vida profissional como o sacrifício a ser recompensado pelo lazer dos fins de semana e por uma vida confortável na velhice.
"Essa visão faz com que, na maioria dos casos, as expectativas para aposentadoria sejam excessivas, tornando a frustração inevitável. Integrar a possibilidade de satisfação e prazer na vida profissional e orientar a escolha da carreira também a partir dessas questões, e não só pela oportunidade salarial, é importante", alerta Paula.
Avaliar de forma realista e ponderada as possibilidades financeiras e se planejar, por mais assustador que isso pareça, é o caminho indicado pela psiquiatra. Na maioria dos casos, os medos estão relacionados ao que imaginamos ser mais terrível do que é na realidade. "Procurar se informar sobre estratégias para lidar com suas finanças e com os cuidados principais para a aposentadoria, como previdência, investimentos e planos de saúde, e buscar identificar o que mais lhe preocupa, para que seja mais fácil traçar alternativas de maneira objetiva e eficiente, é importante", indica Paula.
A psiquiatra ainda afirma que é preciso perceber a si mesmo como sujeito de suas próprias escolhas e conciliá-las com suas possibilidades ainda que esse seja um processo difícil, porém fundamental para que o momento da aposentadoria possa ser vivenciado de maneira mais tranquila.
Vera Rita acredita que para minimizar os possíveis traumas do momento da aposentadoria é preciso ter consciência sobre a maneira como as coisas funcionam. Nesse sentido, a autora do livro "A Cabeça do Investidor", afirma que se reconhecer é imprescindível. "Vale conversar com quem sabe mais do que você, trocar ideias e experiências e se instrumentalizar de forma que a própria pessoa possa se policiar e assim investir no seu futuro", alerta Vera.
(Fonte: Portal da Previ)
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