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O valor dado ao dinheiro: O antes e o agora

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O valor dado ao dinheiro: O antes e o agora

A diferença de mentalidades entre as gerações é algo peculiar em vários assuntos, pois não só diferem nos temas mais comuns, mas também nos mais complexos. E claro, o dinheiro não é exceção! Mas… quem terá razão? A sabedoria dos mais antigos ou a ousadia dos mais jovens?

Como era tratado o dinheiro antigamente?

Retrocedendo alguns anos, na década de 50, a gestão financeira pessoal era totalmente diferente, não existiam créditos, as poupanças eram, muitas vezes, guardadas em casa e tidas como sagradas para uma eventualidade que pudesse acontecer (daí vem expressão de guardar o dinheiro debaixo do colchão). A pobreza entre a população era maior e a maneira como olhavam para o dinheiro era, sem dúvida, diferente da atualidade.

O conceito de comprar/construir casa própria não passava, na generalidade, por bancos, mas sim por muitos anos de trabalho, juntando o máximo possível. Não havia pagamentos com recurso a cartões de crédito (havia apenas fiado na mercearia) e, ainda, ter férias ou um carro era um luxo, devido aos custos da compra e das despesas com combustível associadas. Em muitas situações até seria possível pedir emprestado ao avôs, pais e irmãos (tal como ainda acontece), mas nesses anos viviam-se os verdadeiros tempos da chamada frugalidade onde, por exemplo, estudar numa universidade era apenas para os mais abastados financeiramente.

Como lidamos agora?

Hoje em dia tudo ficou mais facilitado graças à possibilidade de crédito e financiamento das pessoas e empresas junto das instituições financeiras. Os bancos assumiram um papel fulcral no dia-a-dia e o crédito já faz parte do nosso quotidiano, pois em vez de juntarmos para comprar casa, agora, compramos o imóvel e vamos pagando (seja por 25, 30 ou até pelos 40 anos seguintes). Entretanto, se houver algum imprevisto recorre-se ao facilitismo dos créditos pessoais e, ainda, ao financiamento para a aquisição do automóvel. Subvertendo-se desta forma o conceito de primeiro poupar para comprar, ultrapassando assim a necessidade de realizar esforços de gestão pessoal, tal como eram feitos pelos nossos antepassados.

Discute-se, na nossa sociedade, se as dívidas são boas ou más e para quem se descontrola e as incumpre, quais os mecanismos que podem usar. O termo insolvência, antes usado apenas em contexto empresarial, é também associado à pessoa particular, com desígnio de libertar a mesma da sua má gestão e infelicidade financeira. Porém, ter acesso ao crédito permite-nos que seja possível alavancarmos a nossa vida, de forma a conseguir obter os melhores resultados, não só nos negócios, mas também perante as nossas finanças pessoais. Basta sabermos lidar com o dinheiro, o que, lamentavelmente, não é assim tão fácil para todos.

Quem estará correto?

A verdade é que o estilo de vida melhorou para a maioria da população, tornando-se possível viver com o conforto mínimo, sem ser necessário ter muito dinheiro. Mas para outros, que vivem endividados e acima das suas possibilidades, continua a não ser o estilo de vida ideal. Assumimos a liberdade como uma garantia adquirida na nossa vida, mas até que ponto vivemos livres quando temos demasiadas prestações mensais para pagar e em caso de incumprimento podemos perder quase tudo? São considerações que todos devemos fazer, olhando para a forma como gerimos o nosso dinheiro.

Sabemos lidar com os empréstimos? Ou seguimos os hábitos mais tradicionais, fazendo esforços para pagar a pronto todos os nossos bens e estilo de vida?
Afinal como dizia, Fernando Pessoa no Livro do Desassossego:“ O dinheiro é belo, porque é a libertação”.

(Fonte: Revista Forever Young)

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