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Sem recursos, brasileiros mal podem poupar

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Sem recursos, brasileiros mal podem poupar

A recessão econômica dos últimos anos, seguida de uma recuperação muito tímida da atividade, limitou a capacidade dos brasileiros de constituir reservas ou realizar investimentos. É o que mostram levantamentos relativos a 2018 realizados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Pelos dados do FMI, o Brasil figurou no nono lugar em ranking de poupança de dez países sul-americanos, acima apenas da Venezuela. A estimativa de poupança para o Brasil foi de 14,6% do Produto Interno Bruto (PIB), muito abaixo do Equador, Paraguai e Peru, com porcentuais entre 20,3% e 24,7%; do Chile, com 19,5%; bem como de Colômbia, Bolívia, Argentina e Uruguai, com porcentuais entre 15,2% e 17,2%. Para a Venezuela, a estimativa é de 13,1% do PIB.

A pesquisa da Anbima mostrou que 25% dos 3.452 entrevistados declararam ter feito investimentos em 2018. Surpreende o fato de que muitas pessoas têm pouca noção do que é investimento. Um por cento dos entrevistados declarou ter investido em educação própria ou em educação dos filhos. Outros 4% empreenderam e 11% adquiriram imóveis ou bens duráveis de consumo. E 8% fizeram aplicações financeiras, a maioria absoluta em depósitos de poupança.

Não faz sentido imaginar que a aquisição de um automóvel é um investimento, salvo quando a renda do comprador depende do uso do veículo, caso de táxis ou aplicativos de transporte, além de algumas atividades de vendas. 

Outros veículos podem ser usados para o transporte de mercadorias ou de pessoas, o que também é um investimento, mas se trata da menor parte das aquisições.

Falta educação financeira básica para os brasileiros. Prova disso é que apenas 6% daqueles que poupam estão “pensando na velhice”, notou o gerente da empresa Plano CDE, Breno Barlach, citado pelo Estado.

Acima de tudo, faltam recursos para investir, pois o desemprego é elevado e as remunerações do trabalho não avançam ou sobem muito pouco. É difícil de “guardar dinheiro”, disse a especialista em finanças domésticas Angela Nunes, da empresa Planejar.

Os brasileiros poupam pouco, mas já pouparam mais. Recessão ou baixa atividade econômica são grandes inimigas da formação de poupança e da realização de investimentos.

(Fonte: Estadão)

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